
Tenho sofrido de fadiga mental.
Ao final do dia, quando chego em casa,
Tudo o que quero é escrever, contar um caso,
Criar um verso ou coisa assim.
Mas não funciona, nada me emociona.
Por mais que eu me esforce – nunca me dou por vencido –
Não há Cristo que me faça aprumar os pensamentos.
É como acordar gago ou dormir bêbado.
Não sai nada.
E os livros na estante, tenho tantos que quero ler.
Não dá tempo.
Quando o dia acaba, uma sopa e um pão me bastam.
Depois me entrego ao sono – sim, vencido – e adormeço um fracassado.
Acordo como um guerreiro para mais um dia
De batalha, de rotina, de migalhas, quase sempre feliz e sempre contrariado.
Vem o trânsito, a fome, o trânsito,
No rádio sempre uma notícia trágica que não me chama a atenção.
Se eu pudesse diria não...
Alternaria as horas do meu dia entre a leitura e a escrita
Jamais ligaria a televisão.
Deve ser por isso que dizem – sempre fui advertido - que o tempo passa tão rápido
E quando nos damos conta
Somos velhos
Temos filhos
Netos
Dor nas costas pela manhã
Nos joelhos durante o dia
Na cabeça quando acaba a novela.
Tenho fadiga mental e uma vontade imensa
De jogar tudo pro alto
Me mandar pro Himalaia
Tibet
Papua Guiné
Indonésia
Rodar a África a pé
Austrália, Malásia
Alaska até...
Ilusão?
Um prato de sopa quente
Uma colher por vez
Um dia, um dia, um dia.
E assim a vida se fez.
Se eu pudesse diria não...
Mas quando acordamos
Os nossos sonhos
Pra onde vão?
1 comment:
sempre lhe faço uma visita... sempre fico sem palavras...
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