Luiza estava pronta para ir embora,
Vestida,
Calça jeans colada e salto alto,
Quando tudo recomeçou.
Tira tudo.
Não pára.
Mais forte.
Debruçou-se no aparador, derrubou um vaso de rosa.
Não importa. Mais forte.
Não pára.
Caiu no chão, deitou-se sobre a flor.
Desfeita em pétalas.
Vem, vem.
Sussurrou.
Vem, assim.
Quero você, mais.
Sentiu o peso do homem sobre seu corpo miúdo.
Corpos molhados.
Uma espessa gota de suor caiu sobre sua testa,
achou graça.
Um sorriso em meio a gemidos,
um sussurro em meio a giros, um grito.
Vira assim, coloca a perna pra lá.
Assim, agora vai.
Não pára, não pára, não pára.
Não, assim não. Machuca.
Tenta desse jeito.
Não?
Convencional.
Chega de estripulias.
Acabe logo com isso.
Vem tesão,
Devagar.
Só um pouco.
Te quero tanto...
Suspiros.
Sussurros.
Gemidos.
Gemidos, mordidas, beliscos.
Peso e suor.
Pétalas.
Estou quase, não pára.
Eu também, me espera.
Então vem.
Eu vou.
Vem.
Vou.
Agora, agora, agora!
Um grito seco
De angústia e orgasmo:
Puta que pariu!
O quê?
A camisinha...
Merda!
Na hora H, Luiza estava pronta para se mandar...
Nunca mais foi.
Saturday, January 13, 2007
Vagões Latino-Americanos
Um homem e uma mulher.
Um pai, um filho.
Dois irmãos.
Inimigos.
Um gordo, um torto, um vesgo, um louco.
Casal de velhos.
Trabalhadores.
Desconhecidos.
Mendigos.
Um par de homens.
Vultos, sombras, imagens desfiguradas.
Duas mulheres.
Jovens, uma grávida a outra lésbica.
Índios.
Catadores de lixo.
Pretos.
Bêbados e ridículos.
Bonitos, um par de gente.
Comuns.
Seres humanos.
Macacos.
Retrato estático.
Um par de trilhos.
Destinos.
Vagões abandonados como trastes.
Dois mitos.
Milagres.
Ricos e covardes.
Invisíveis.
Sérios.
Miseráveis.
Calhordas. Assassinos.
Quem somos nós?
Sozinhos
Tateando caminhos com a ponta dos dedos.
Quem somos nós?
Sozinhos
Um pontinho anacrônico escorrendo no tempo.
Quem somos nós?
Sozinhos
Esperando um trem que não vem.
Um pai, um filho.
Dois irmãos.
Inimigos.
Um gordo, um torto, um vesgo, um louco.
Casal de velhos.
Trabalhadores.
Desconhecidos.
Mendigos.
Um par de homens.
Vultos, sombras, imagens desfiguradas.
Duas mulheres.
Jovens, uma grávida a outra lésbica.
Índios.
Catadores de lixo.
Pretos.
Bêbados e ridículos.
Bonitos, um par de gente.
Comuns.
Seres humanos.
Macacos.
Retrato estático.
Um par de trilhos.
Destinos.
Vagões abandonados como trastes.
Dois mitos.
Milagres.
Ricos e covardes.
Invisíveis.
Sérios.
Miseráveis.
Calhordas. Assassinos.
Quem somos nós?
Sozinhos
Tateando caminhos com a ponta dos dedos.
Quem somos nós?
Sozinhos
Um pontinho anacrônico escorrendo no tempo.
Quem somos nós?
Sozinhos
Esperando um trem que não vem.
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